Sábado. Para lá senti-me estrangeira, para cá senti-me velha.
Oeiras, comboio das 17h40 para o Cais do Sodré. Fui sentada ao lado de uma brasileira, atrás de uma chinesa, e à frente de um casal inglês. Nuns bancos mais adiante ia um indiano.Não sou uma pessoa racista, pelo menos gosto de pensar que não sou, e tenho horror a xenofobia, mas ontem não pude deixar de pensar no irónico de um país que sempre foi colonizador, e que qualquer dia, sem se dar conta, é colonizado. Ok, ok, colonizado não, tem uma conotação negativa, chamemos-lhe antes "globalizado".
Alameda, metro, 19h e muitos minutos, já de volta para casa, um grupo de estudantes, eles e elas, na casa dos 19/21, talvez. Eles absolutamente normais, elas com saltos agulha de 15cm, com casacos maiores que as mini-saias, cabelo arranjado, unhas vermelhas e caras super pintadas que ao contrário de as tornar bonitas as fazia parecer palhaças fora de época.. Rabos a abanar, tentando algum equilibrio nos saltos.O que também fazia com que espetassem os "ditos". Olhei para as minhas botas velhas, quase rotas e super confortáveis, para a minha camisa descomposta, metade dentro, metade fora das calças de ganga 1 tamanho acima que gosto de usar, lancei a mão ao cabelo desalinhado tentando levá-lo ao lugar e senti-me quase uma pedinte. E velha, senti-me velha, no meu tempo não precisavamos de nos "mascarar" para nos divertirmos! Nem de sacrificar o conforto!! Era a bela da calça de ganga elástica que comprávamos na loja do Sr.Leal e dos ténis Sanjo que tinhamos suplicado à mãe para comprar. Qdo muito, umas Levis, compradas com o primeiro ordenado. Cabelo, então, nem nunca via tesoura, era a amiga que nos fazia uma trança especial. Unhas ou cara pintada? Isso então era para as velhas. Que é como quem diz....pessoas da idade que eu tenho hoje...
Sábado perdi-me em pensamentos, na minha observação dos outros.É tão raro poder/conseguir fazê-lo que para mim foi um luxo. Melhor que uma noite de borga.


