domingo, 27 de novembro de 2011

Ela não estaria aqui.



-É uma surpresa mãe, deixa-te estar a descansar que eu trato de tudo.
E tunga, fecha-me a porta do quarto! E oiço coisas. Loiça? Sacos? Que estará ela a fazer? Quero levantar-me mas mesmo às escuras o tecto anda à roda. Ou sou eu que ando à roda? Não posso estar doente, sou a única pessoa que conheço que não pode estar doente, o ruka tem de ir à rua, o ordenado tem de entrar inteiro e dela, quem cuida dela se eu adoeço? Quem a leva à escola, quem lhe faz a comida, quem lhe dá banho, quem lhe dá mimo, quem grita com ela, quem se esquece de si próprio para cuidar dela?? Vem-me tudo à cabeça, a custo, ultimamente recordo-me de coisas que há muito tinha optado por esquecer e lembrei-me do meu ex-marido, e dos tratamentos, e do sexo com hora marcada durante anos. Era engraçado, a princípio, "acorda, acorda, vão rebentar os folículos" ou das justificações que a médica me passava para podermos passar o dia a praticar, mas todos os meses era mais uma desilusão, seguida de 28 dias de esperança,e as desilusões foram ficando cada vez maiores e a esperança cada vez menor, e o casamento cada vez pior....e agora, para além da cabeça à roda estou com uma angústia terrível, ao pensar que se a medicina tivesse resultado, eu não estaria aqui hoje a ouvi-la dizer: "É uma surpresa mãe, deixa-te estar a descansar que eu trato de tudo", porque ela não estaria aqui. Eu, eu não sei onde é que  eu estaria, mas ela não estaria aqui. A minha vida talvez não estivesse virada do avesso, a minha sanidade mental talvez não estivesse a perder-se, mas ela não estaria aqui. E tenho de me levantar porque ela precisa de mim e não posso estar doente. E também porque posso ficar  com a casa destruida se não me levanto e fico ainda mais doente....e não consigo descansar, não consigo abstrair-me de nada, e oiço coisas estranhas e ela a cantarolar, e cai um talher qualquer, e "deixa-te estar mãe, não foi nada", e apareço à porta da cozinha, e não sei se é a minha cabeça a rodar ou se a pá está mesmo em cima  da mesa, se a vassoura está tombada no chão, e se aquele copo  de água com meio quilo de açucar e a bola com um pacote de manteiga são mesmo de verdade, até que ela saca de um sorriso e diz :" Toma mãe, é para te sentires melhor. E olha, varri a casa toda"!

sábado, 26 de novembro de 2011

LEVANTA-TE!




10 horas: Catarina levanta-te.
10.30: Levanta-te Catarina.
11.00: Catarina, tens de acordar, levanta-te, tens de estar às 2 nos escuteiros.
11.15: Catarina levanta-te.Sei que não estás a dormir, levanta-te, ainda tens de tomar banho e comer!
11.30: Catariiiiinaaaaaaaaaaaa  LEVANTA-TE!!!
11.40: Catarina, SENÃO TE LEVANTAS DA CAMA TRABALHA A COLHER DE PAU!!!!!
11.45 : CAAAATAAAAARRRIIINAAAAAAAAAAA!!!!

Estou a entrar em broa! Estou a segurar-me para não ir lá puxar-lhe um perna e arrastá-la para fora da cama!!Está literalmente a gozar comigo! Só pode!Já não aguento mais estas fitas!!Não sei,  já não o que hei-de fazer mais com ela!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Á's por À's, K's por Q's, jinhUUUUssss e afins.

Fónix, hoje tudo me irrita!
Irritam-me os á's em vez de à's irritam-me os k's em vez de q's, irritam-me os jinhos,e muito mais os jinhuuussss,  irritam-me os comentários sempre down, irritam-me (ainda mais do que habitualmente) os fofinhos e as fofinhas, irrita-me a gaja do cca, que tem umas receitas divinas mas que não tem humildade nenhuma, só me apetece deixar-lhe uma mensagem a chamar-lhe convencida e a dizer-lhe que devia aprender a escrever tão bem quanto cozinha, irrita-me a greve, irrita-me ter tido de ficar em casa e perder um dia por causa da greve,irritam-me as musicas lamechas, irritam-me os calimeros, até eu própria me irrito!!

sábado, 19 de novembro de 2011

A vara do escuteiro....ou o pau de 2 gumes!!












- Ó mãe, aquele António é mesmo tonto!!! Sabes o que é que ele disse??
Que tinha 2 paus, um destes e o outro agarrado ao corpo!!  E sabes,mãe, qual é o pau que ele diz que tem agarrado ao corpo?? É a pilinha, mãe!!!!É mesmo tonto, aquele António!!!


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Freedom



Não queria ser assim mas sou. Não sei ser pássaro na gaiola, nem peixe no aquário. Não sei viver amarrada a uma rotina que não seja a minha, e que mudo ao sabor da maré sem ficar com a sensação de que estou a prejudicar alguém. Não sei partilhar o meu  espaço, nem nada que tenha adquirido com esforço emocional extra que me custou só a mim e tanto!!Não sei não sentir o coração.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sabemos que somos mães quando....


Sabemos que somos mães quando:

Temos de assistir ao Phineas e Pherb e nos estava mesmo era a apetecer ver o Csi.

Não vamos arranjar o cabelo para os vermos sorrir com um zooble.

Deixamos de beber um café para lhes comprarmos um gelado.

Estamos com 39 de febre mas temos forças para lhes fazer o jantar.

Vamos às 3 da manhã de pijama e chinelos a correr para o hospital porque eles estão com falta de ar.

Há anos que não vamos ao cinema ver um filme "normal"  porque eles ainda não têm 12 anos.

Não compramos aquelas calças que nos ficam mesmo bem porque eles precisam de uns ténis novos.

Não conseguimos dormir quando eles ficam em casa dos avós.

Começamos a dizer "yah" e "bué" e "fixe" aos 40 anos.

Sabemos de cor a letra do "Rei Leão".

Fazemos figuras tristes a jogar às escondidas no parque.

Nos esquecemos de como é que se namora.

Deixamos de conseguir ler no comboio e passamos a jogar à sardinha.

Trocamos o nome do cão pelo nome da filha.

Temos de nos lembrar do que é um triângulo escaleno.

Debaixo do sofá nascem pacotes de bolachas  vazios.

Não conseguimos manter uma conversa sem interrupções.

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Quem se lembra de mais?

Merda, fdm, grande porra!!!



Há coisas que me chocam. Não é muito habitual acontecer, sou uma pessoa que já viu muito, já passou por muito, e ainda assim continuo pacata, no meu canto, sem me meter em grandes sururus(claro que gosto de uma boa fofoca, mas não a largo aos 7 ventos) e guardo para mim, coisas que vejo ou oiço, para não prejudicar ninguém, preferindo sair eu prejudicada às vezes. Okay, ou tenho as costas largas, ou sou  otária. E também acho que sou burra às vezes. Mas há coisas que me chocam e que me fazem saltar a tampa e ter vontade de desatar  ao sopapo a muita gente e fico desbocada e levo tudo à frente e fico com comichões em todo o lado se não posso fazê-lo. Há coisas que me chocam - okay, okay, take 3- e hoje estou chocada. Estou chocada porque alguém que conheço, que respeito e de quem gosto tem cancro da mama aos 43 anos. Estou chocada porque a minha melhor amiga está a sofrer de saudade de alguém que morreu de cancro e como se não bastasse está a sofrer do coração. Estou chocada porque uma pessoa que adoro e que admiro está a passar por dificuldades e também a sofrer e eu não tenho como ajudá-la, e estou chocada porque há, a sério que há, pessoas que têm cancro na alma. E qdo pensamos que está debelado (nem sei se esta palavra existe mas se não existe faz de conta e não me apetece ir ao google), lá regressa, ele no seu melhor, na sua destruição e egoísmo, disfarçado de benemérito sonso em quem só acredita quem não está mesmo para se chatear porque tem mesmo coisas mais importantes para fazer, como por exemplo ser mãe. Sim, porque isto de ser mãe também consegue ser chocante. "Mãe é mãe, mãe é quem cria, é das palavras pequenas a maior q o mundo tem" e podia continuar até me cansar, que advérbios, adjectivos e afins não faltariam. Conheço muitas mães, todas diferentes umas das outras, mas todas têm uma coisa em comum, todas elas conseguem passar por sacrifícios pelos filhos se necessário,   todas elas colocam o bem estar dos filhos em primeiro lugar,em detrimento do delas, todas elas passam fome, se necessário, para pôr comida no prato dos filhos, todas elas morrem no lugar dos filhos. Eu costumava defender a teoria de que todas as  mulheres  deveriam ter oportunidade de ser mães, quem me conhece sabe porquê. Claro que é discutível, porque às vezes Deus dá nozes a quem não tem dentes e ficamos revoltadas. Mas estou convencidíssima, que neste caso, Deus sabe o que faz, porque é demasiado evidente, mesmo para quem não é Deus. Vê lá se me perdoas, Tu, Deus, se estou errada, e tu aí, psstt, sabes quem és, já te disse publicamente que gostava de ser como tu quando crescer, olha, eu não te chego aos calcanhares. Mas ainda haveria quem não te chegasse à luas das unhas dos dedos mindinhos dos pés se fosse mãe. Fónix!!!! Cum  caraças, que só me apetece ser mal educada!