domingo, 29 de janeiro de 2012

Stilletto VERSUS Sanjo ou mudam-se os tempos...



Sábado. Para lá senti-me estrangeira, para cá senti-me velha.

Oeiras, comboio das 17h40 para o Cais do Sodré. Fui sentada ao lado de uma brasileira, atrás de uma chinesa, e à frente de um casal inglês. Nuns bancos mais adiante ia um indiano.Não sou uma pessoa racista, pelo menos gosto de pensar que não sou, e tenho horror a xenofobia, mas ontem não pude deixar de pensar no irónico de um país que sempre foi colonizador, e que qualquer dia, sem se dar conta, é colonizado. Ok, ok, colonizado não, tem uma conotação negativa, chamemos-lhe antes "globalizado".

Alameda, metro, 19h e muitos minutos, já de volta para casa, um grupo de estudantes, eles e elas, na casa dos 19/21, talvez. Eles absolutamente normais, elas com saltos agulha de 15cm, com casacos maiores que as mini-saias, cabelo arranjado, unhas vermelhas e caras super pintadas que ao contrário de as tornar bonitas as fazia parecer palhaças fora de época.. Rabos a abanar, tentando algum equilibrio nos saltos.O que também fazia com que espetassem os "ditos".  Olhei para as minhas botas velhas,  quase rotas e super confortáveis, para a minha camisa descomposta, metade dentro,  metade fora das calças de ganga 1 tamanho acima que gosto de usar, lancei a mão ao cabelo desalinhado tentando levá-lo ao lugar e senti-me quase uma pedinte. E velha, senti-me velha, no meu tempo não precisavamos de nos "mascarar" para nos divertirmos! Nem de sacrificar o conforto!! Era a bela da calça de ganga elástica que comprávamos na loja do Sr.Leal e dos ténis Sanjo que tinhamos suplicado à mãe para comprar. Qdo muito, umas Levis, compradas com o primeiro ordenado. Cabelo, então, nem nunca via tesoura, era a amiga que nos fazia uma trança especial. Unhas ou cara pintada? Isso então era para as velhas. Que é como quem diz....pessoas da idade que eu tenho hoje...

Sábado perdi-me em pensamentos, na minha observação dos outros.É tão raro poder/conseguir fazê-lo que para mim foi um luxo. Melhor que uma noite de borga.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Peçam-me bolas de berlim.



Peçam-me
Peçam-me









Mas não me peçam salame de chocolate! Parece a caca do meu cão em dias menos moles!



domingo, 8 de janeiro de 2012

LaRaNjA dOcE tEm A cAsCa FiNa

Vai-se o Verão, vem-se o Natal.

Foi-se o Natal e veio-se o ano novo. Isto não me soa nada bem...

Não como, não durmo, não penso mas  faço bolo rei e  sonhos que sei que ninguém vai comer. Tem a sua lógica! A tal, a da batata. Que não entra no bolo rei nem nos sonhos, mas entra no empadão. Que ainda não fiz mas que se calhar sai amanhã. Ónix! "Se tens muito que fazer, vai para a cozinha faz bolo rei!!!"

"Era uma vez um rei com uma grande barriguinha....comia comia....e mais fome tinha!"

E sonhos!!!


"Sonhos que sonhei, onde estão...dias que vivi, quem os tem.....vale mais não ter coração do que ter e lárálálálá"

Touuuuu piorrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
SOCOOOORRROOOOOOOOO!!!
"Estou a apaixonar-me é impossivel resistir a tanto charme!!!!"

Nossa senhora, tanto disparate junto!
Parate parate!!

E agora vou ali bater com a cabeça na parede e já venho!

domingo, 1 de janeiro de 2012

As simple as that!

Sem balanço, sem passas e sem desejos!
Se não criarmos expectativas, não temos desilusões! É basico!!!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O rap do Pai Natal sem Vale.

1,3,3 som!
Por cima chocolate
Por baixo bolachinha
Por dentro é um recheio
hummm...coisa doce tão fofinha!!! YO!!!

Agora o rap:
Yo! Por cima chocolate...

Yo! O Pai Natal não deu o vale
Porque a menina se portou mal,
Não foi ao jantar
Não foi ao Sado
E agora fica
a chuchar no dado! Yo, ok, ok, é só para rimar!!!
Yo!!! Pai Natal?!!!!
LIMPA O CU AO VALe
PÓ C**** PAI NATAL!!!!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Barrigas e corações.

....
-És a minha segunda mãe.
- Não sou não! Sou a tua primeira mãe!
-Não és nada! ÉS A SEGUNDA!!
Fico chateada, triste, ciumenta e respondo-lhe como se tivesse a idade dela:
-Não sou! Já te disse que sou a primeira!!!!
-MAS NÃO ÉS! Primeiro foi a outra, nasci da barriga dela!!!
-Mas nasceste do meu coração e isso é muiiiitooooo mais importante!!!!!Mãe é  quem cuida, quem ralha, quem ama e quem beija as feridas!!!!
E a conversa acaba aqui porque me dói.

domingo, 27 de novembro de 2011

Ela não estaria aqui.



-É uma surpresa mãe, deixa-te estar a descansar que eu trato de tudo.
E tunga, fecha-me a porta do quarto! E oiço coisas. Loiça? Sacos? Que estará ela a fazer? Quero levantar-me mas mesmo às escuras o tecto anda à roda. Ou sou eu que ando à roda? Não posso estar doente, sou a única pessoa que conheço que não pode estar doente, o ruka tem de ir à rua, o ordenado tem de entrar inteiro e dela, quem cuida dela se eu adoeço? Quem a leva à escola, quem lhe faz a comida, quem lhe dá banho, quem lhe dá mimo, quem grita com ela, quem se esquece de si próprio para cuidar dela?? Vem-me tudo à cabeça, a custo, ultimamente recordo-me de coisas que há muito tinha optado por esquecer e lembrei-me do meu ex-marido, e dos tratamentos, e do sexo com hora marcada durante anos. Era engraçado, a princípio, "acorda, acorda, vão rebentar os folículos" ou das justificações que a médica me passava para podermos passar o dia a praticar, mas todos os meses era mais uma desilusão, seguida de 28 dias de esperança,e as desilusões foram ficando cada vez maiores e a esperança cada vez menor, e o casamento cada vez pior....e agora, para além da cabeça à roda estou com uma angústia terrível, ao pensar que se a medicina tivesse resultado, eu não estaria aqui hoje a ouvi-la dizer: "É uma surpresa mãe, deixa-te estar a descansar que eu trato de tudo", porque ela não estaria aqui. Eu, eu não sei onde é que  eu estaria, mas ela não estaria aqui. A minha vida talvez não estivesse virada do avesso, a minha sanidade mental talvez não estivesse a perder-se, mas ela não estaria aqui. E tenho de me levantar porque ela precisa de mim e não posso estar doente. E também porque posso ficar  com a casa destruida se não me levanto e fico ainda mais doente....e não consigo descansar, não consigo abstrair-me de nada, e oiço coisas estranhas e ela a cantarolar, e cai um talher qualquer, e "deixa-te estar mãe, não foi nada", e apareço à porta da cozinha, e não sei se é a minha cabeça a rodar ou se a pá está mesmo em cima  da mesa, se a vassoura está tombada no chão, e se aquele copo  de água com meio quilo de açucar e a bola com um pacote de manteiga são mesmo de verdade, até que ela saca de um sorriso e diz :" Toma mãe, é para te sentires melhor. E olha, varri a casa toda"!